clique aqui para abrir os links em uma nova janela.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

To my mom. The only one. Always.

Hey,  mãe.  Estou com insônia, pra variar,  e pensando na confusão que era pra eu dormir quando eu era pequena. Lembra de quando eu ficava acordada mas fingindo que eu estava dormindo? Uma vez a Buni falou uma bobagem e eu não conseguia manter o meu disfarce direito,  e então a senhora disse: hey, não precisa fingir,  Stefanie. E nós três acabamos por cair na gargalhada. Lembra?
Passou tão rápido, né? Vinte anos na porta, fazendo faculdade, trabalhando...  Quando a senhora imaginou que seria assim, huh? Estamos ficando velhas. E a parte boa da nossa pequena diferença de idade é que eu não posso dizer que a senhora está ficando velha sozinha. Pode usar essa contra mim, eu te dou os meus direitos autorais.
Sabe, mãezinha, muita coisa aconteceu esse ano, e eu te juro que foi bastante insano, doentio e desesperador. Eu tive que (de novo) crescer rápido demais, mais até do que eu queria. E sabe, eu lembro do meu fogo-no-rabo de querer fazer 18 logo e agora me arrependo tanto...  Eu acabei perdendo tanta coisa da minha infância e adolescência que eu não não vou poder mais resgatar... E isso as vezes me deixa louca, sabe? Mas sabe-se lá se eu fiz o certo. O futuro é hoje mas ainda está bem longe pra saber o real resultado de tudo.
De uma coisa estou certa: por mais que a gente sempre acabe num arranca-rabos gigantesco, nunca posso dizer que estive sozinha. E por isso eu te agradeço, mãezinha; por ter a certeza de que tive seu apoio até mesmo nas decisões que mais pareciam erradas pro meu futuro e mostrar real preocupação com essas questões. Por nunca me forçar a fazer nada. Pra mim,  esse é o real significado de ser mãe, e eu espero que quando eu o for, eu tenha isso vindo do seu coração.
Só me promete uma coisa? Não importa quantos quilômetros nos separem, não esqueça nunca o quanto te amo e que pra sempre eu vou ser sua garotinha, sua gorda (mesmo magrela hoje em dia).
Eu te amo.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Letter 2 - To an old friend.




Bem, como eu disse, quando eu tivesse um tempo eu responderia você. Se quiser responder ou não, é algo seu. Afinal, como já dizia Voltaire, "Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la." Primeiro você diz que está mostrando a cara diferente do que mim. O estranho é que eu já havia mostrado a minha cara antes, e ao contrário do que você diz, nem perdi meu tempo te bloqueando no WhatsApp. 1. Como já disse antes, não brinco com a sua doença porque sei a gravidade que isso tem. E caso você não se lembre, muitas vezes quem te pediu pra procurar um médico e se tratar para melhorar, ficar bem e ter a vida que você merece fui eu. 2. Você e S., ela ter sua senha e o cacete a quatro é um problema seu sim, e eu sinceramente cago pra isso. O problema é quando você conta coisas da minha vida privada pra ela. Isso é quebra de confiança, porque eu não contaria pra ninguém, assim como nunca contei, coisas particulares suas. Além de confiança, isso é ter bom senso. 3. Procurar você só quando preciso? Engraçado, já que a primeira pessoa com quem sempre compartilhei tudo, de bom e de ruim, foi você. A primeira pessoa pra quem contei que passei na Federal, que comecei a namorar o Lucas, que vim morar aqui e que minha vida estava andando, e por ai vai. Claro que te procurei quando precisava também, e sempre fui e ainda sou grata por todo suporte que você me deu, tanto em apoio moral, emocional, psicológico, financeiro e entre outras mil formas. E mesmo quando eu estava bem, inclusive bem emocionalmente, também te ajudei, te dando conselhos, te mostrando coisas, parando pra pensar com você sobre seus problemas. Sendo sua amiga ou não, tendo brigado ou não, é injusto falar que não fiz isso. E não, não estou jogando na sua cara, estou te lembrando de coisas. E quanto a precisar de psiquiatra, eu não preciso precisar pessoalmente pra saber o quanto é duro: eu convivi por 12 anos todos os dias com alguém que tinha problemas psiquiátricos e eu sei o quanto é duro. Por isso nunca brinquei e sempre medi as palavras quanto a sua situação.
Como já disse antes, espero que você melhore rápido, que volte a construir sua vida e a fazer coisas que te faziam bem, que ache alguém que possa te dar tudo que você sonhou outrora e que seja feliz.


Observações Importantes.
1. Tudo que foi censurado foi em nome da privacidade, tanto no print quanto no texto.
2. Foi escrito aqui por pura preguiça de digitar no celular. O post ficará disponível apenas para quem tiver o link.
3. Caso algum dia queira conversar (sem ofensas ou acusações), estarei aberta a ouvir sem problema algum.
4. Ignorarei qualquer tipo de resposta a isso vinda de qualquer pessoa que não seja você.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Letter 1: Sanctum Raphaelem Archangelum

"DIRIGERE dignare, Domine Deus, in adiutorium nostrum, 
sanctum Raphaelem Archangelum; et quem tuae maiestati semper 
assistere credimus, tibi nostras exiguas preces benedicendas
 assignet. Per Christum Dominum nostrum. Amen."

Raphael - Carlos Quevedo
             Sei que teu corpo tem milhões de cores, mas a única que posso ver quando fecho os olhos é o azul-turquesa que me envolve em um abraço quando você o faz. Eu não posso ouvir sua voz diretamente, mas te ouço na chuva, no vento vindo do mar, nas próprias ondas. Te ouço também no sonho, e acho que é a forma mais pura de todas. Afinal, tua verdadeira voz cristalina me toca. "- Eu sou a Cura de Deus", soa tua voz e não posso conter o sorriso. Afinal, você me protege.
             Às vezes também posso ver teus sinais: os peixes se unindo perto da barca, tão bem perto da linha d'água, abrindo a boca para fora como se fossem respirar. Mas, espera! São peixes, e peixes respiram debaixo d'água! É engraçado... Às vezes um peixe resolve pular inesperadamente na frente da barca, num salto alto e desengonçado. Ou as aves fazem mergulhos acrobáticos no mar, como se atiçadas por algo ou por alguém. Sim, isso me diverte.
             Às vezes eu também posso te sentir, como quando tocou meus ombros e me aliviou o cansaço no trabalho. Ou quando me vejo sozinha e perdida e sinto o cheiro de chuva com uma leve carícia e sei que você não quer meu choro. 
             Posso ser "abusada", mas sei que se orgulha de mim, além de me proteger, me guiar e curar tanto as dores físicas quanto as emocionais. Só peço que continue a me guardar e proteger em suas asas. Amém.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Cidadã do Le Monde

Não é estranho pra mim pensar que sempre gostei das grandes coisas: sempre amei balanços porque podiam me fazer voar em sua simplicidade, sempre amei o mar e sua imensidão e fiz dele meu confidente, meu doce jardim das águas salgadas (e Copacabana que o diga!); sempre amei andar pelo Centro do Rio depois de tê-lo conhecido, o suficiente para sair escondida do colégio com uma amiga (Lisa, thanks, always and forever ) e ir apenas andar por lá; sempre tive uma incrível atração por castelos e museus são o meu lar.
Essa mania de grandeza, em mim, surgiu muito nova. Me perguntaram uma vez o que eu queria ser quando crescesse. Perguntei então à minha mãe: Mãe, quem manda no presidente? Alguém sabe como se explica a uma criança de 6 anos o trabalho do judiciário de fiscalizar e do executivo de criar as regras e normas? Acho que não. Então obtive como resposta: Ah, Stefanie, são os juízes. E então obtiveram a resposta de mim: Então quero ser juíza da Marinha! Sismei com isso até bem tarde, querendo entrar para o Colégio Militar e o caramba. Continuei nesse ritmo até 2008, quando comecei realmente a fazer coisas grandes. Com apenas 13 anos, saía as 7:30 de casa, caminhava até o colégio, chegando às 8hrs, largava às 12hrs, comia no colégio mesmo e pegava um ônibus tendo como destino o Méier. 2 horas de trajeto no ônibus, mais uma caminhada de 20 minutos e mais estudo: havia ganhado um preparatório do meu primo-padrinho. Era complicado, infeliz e muito desgastante, mas o que não é quando se busca um sonho? Muitas vezes minha mãe perguntou se eu queria desistir e a resposta era sempre a mesma: Não. Consegui passar para o Colégio Militar? Também não. É claro que fiquei arrasada, mas adquiri um novo sonho: Entrar na EFOMM, sair como 2º tenente da Marinha e com formação de Bacharel em Ciências Náuticas. Entrei na FAETEC, onde conheci alguns dos meus melhores amigos e meu amigo/amor/amante/protetor/suporte/sonho e no meio do caminho vi que essa história toda de EFOMM não daria certo. O Brasil e o mar eram pouco pra mim. E eu, sempre apaixonada por política e pelo mundo, decidi virar diplomata depois de ler num jornal as funções dessa profissão. E finalmente achei meu lugar. Larguei o técnico de informática da FAETEC, terminei meu ensino médio e passei: Universidade Castelo Branco - História, Universidade Estadual do Rio de Janeiro - História, Universidade Federal Fluminense - Arquivologia e, finalmente, UniverCidade - Relações Internacionais. Deus! Lembro até hoje do quanto chorei quando consegui. No primeiro dia de aula sequer acreditava. Era um sonho do qual só consegui acordar na primeira prova. Tudo começou a fazer sentido desde então. Eu não precisava me esforçar muito pra entender, acompanhar, fazer. É assim quando se tem paixão por algo.
Hoje estou na Universidade Federal Fluminense, fazendo Relações Internacionais, claro. As ruas do Centro da Cidade são pequenas pra mim. Já conheço de canto a canto como a palma da minha mão e estendi meus horizontes para outra cidade do outro lado da Baía: Niterói. A Marinha e o Brasil são pequenos pra mim. Eu quero o mundo, e não importa o quão difícil esteja sendo eu sei que eu vou tê-lo. Afinal, não foi a toa que fui chamada por alguém que tanto acredita em mim de Cidadã do Le Monde.



sábado, 30 de agosto de 2014

15 anos sem você. - Uma homenagem a minha avó.

Não muito depois da meia noite, seu toque de saudade me trouxe e eu não reconheci de imediato. Só pude sentir uma tristeza estranha que só se identificou às 2 da manhã, numa rápida olhada no celular. Não se preocupe: apesar dessa tristeza estranha, não estou mal.
Eu não te conheço tão bem, mas eu te conheço muito bem. É contraditório, mas totalmente racional. Me perdoe, eu era pequena e pra essas coisas 15 anos se mostram totalmente impiedosos.
Lembro vagamente das memórias antigas e invasões em sonhos (e eu sei quem te trouxe), mas a maior parte das minhas lembranças vieram de histórias contadas: sua infância, seus pais, seus irmãos, seu casamento, seu sonho de ter filhos (e seus posteriores filhos, de sangue ou não), suas dificuldades, sua sabedoria, suas serestas, sua "Ronda", seu salgueiro, seu vasco, suas plantas, sua cabocla... São milhões de coisas em uma só, e coisas que eu não vivi, ou vivi muito pouco pra poder lembrar. Lembro pouco: da sua marca de nascença e eu falando da bunda da vovó. De uma visita no hospital cada vez mais apagada da minha memória. Uma escadinha de 3 degraus e um leito, uma camisola que eu não lembro mais a cor. Uma cartinha. Eu sinto muito por não poder lembrar mais, mas eu não posso voltar no tempo.
Em tudo na vida eu pensei em você. Pode parecer hipocrisia pra alguns, mas é verdade. Pensei se você estava ali, vendo a mulher que eu estava me tornando. Se estava vendo meus sucessos, meus fracassos, se aprovaria ou desaprovaria atos e se eu levaria um esporro imenso ou seria amparada por seus braços. Tentei me espelhar na sua bondade e alguns dizem que deu certo. Eu não sei, sempre te imaginei como uma heroína e você sempre foi algo que eu levei muito a sério, por mais que digam que não. " - Você jura pela sua avó, Stefanie?" " - Sim, eu juro!" Da única vez que isso não foi verdade eu me arrependi amargamente e senti a dor me corroer, tanto pela meleca (sim, eu sei que você não gosta de palavrões) que eu tinha feito quanto pelo seu nome ter sido usado Mas eu sei que você me perdoou. Você me disse em sonho depois.
Eu sinto saudade de casa, vó. Não a casa - quatro paredes com uma escadinha no meio dividindo uma parte e outra. Sinto falta de casa - casa. Eu sei que estou longe, mas não é só culpa minha e eu peço perdão pela milésima vez. Eu sei que você tem visto tudo e eu sei que você vê a verdade nos meus sentimentos. Eu acredito nisso.
Espero que você se orgulhe de mim de alguma forma, espero que minhas escolhas não tenham te machucado e espero que você goste do Lucas. A bondade de vocês é imensa e eu sempre falo que ele amaria ter te conhecido.
E espero que você brinque com meus amiguinhos do céu. Eu sei que eles gostam de você e eu sei que você deve adorar eles. E espero que Rafael tenha te levado direitinho, porque senão eu bato nele!
Eu te amo, Cici. De um jeito que eu nem entendo. E não fique triste com o quanto eu chorei hoje. Espero que entenda.
E me perdoe pelas palavras que não usei. Alguns sentimentos ficam no coração, e eu sei que você tem acesso a ele também. E como você gostava de encerrar a seresta com Ronda, vou te dar esse presente. Aproveite, ele é só seu.


Da tua neta. Pra sempre.

PS: Não chore igual no natal/ano novo.
PSS: Vai ter um show, Emilinha x Marlene, aqui no Imperator. Sempre penso em você quando passo ali.

sábado, 26 de julho de 2014

A little definition. - Ride.





" - Eu estava no inverno da minha vida, e os homens que eu conheci ao longo da estrada eram meu único verão . À noite, adormeci com visões de mim dançando e rindo e chorando com eles. Três anos para baixo da linha de estar em uma turnê mundial sem fim e minhas memórias deles foram as únicas coisas que me sustentaram e meus únicos verdadeiros momentos felizes.
Eu era um cantora, não muito popular, que tinha sonhos de se tornar uma bela poeta. Mas em cima de uma série infeliz de eventos vi esses sonhos divididos como um milhão de estrelas no céu noturno que eu queria em uma e outra vez - brilhante e partido. Mas eu realmente não me importo, porque eu sabia: isso é preciso para começar tudo o que você sempre quis e depois perdê-lo para saber o que é a verdadeira liberdade .
Quando as pessoas que eu encontrava e descobriam o que eu estava fazendo, como eu estava vivendo, eles me perguntaram por quê. Mas não adianta em falar com as pessoas que têm uma casa; elas não têm ideia de como é procurar segurança em outras pessoas, procurar um lar onde você possa descansar a cabeça.
Eu sempre fui uma menina incomum. Minha mãe me disse que eu tinha uma alma de camaleão: nada de uma bussola moral apontando pro norte, nada de personalidade fixa. Apenas uma determinação interna que era tão grande e tão oscilante quanto o oceano. E se eu disse que não tinha planejado as coisas desse jeito... eu estaria mentindo. Porque eu nasci para ser a outra mulher. Eu não pertencia a ninguém, pertencia a todos e eu não tinha nada. Queria tudo com o fogo da experiencia e uma obsessão por liberdade que me apavorava tanto ao ponto que eu não conseguia nem falar sobre isso, e me empurrou para um ponto nômade de loucura que tanto me deslumbrava quando eu ficava tonta."

" - Tenho encarado a estrada aberta. Você pode ser meu em tempo integral, papai. Branco e dourado, cantar blues está ficando fora de moda. Você pode ser meu em tempo integral, meu bem; quente ou frio. Não me deixe mal! Tenho viajado por muito tempo; tenho me esforçado demais com uma bela canção.
Ouço os pássaros na brisa de verão, eu dirijo rápido. Estou sozinha à meia noite. Estou tentando não me meter em confusão, mas eu, eu tenho uma guerra em minha mente. Então eu simplesmente pego a estrada, simplesmente pego a estrada.
Morrer jovem e aproveitar muito: Essa é a maneira que meu pai fez de sua vida uma arte. Bebemos o dia inteiro e conversamos até escurecer: É assim que os Road Dogs fazem, dirigem até escurecer.
Não me deixe agora. Não diga adeus. Não dê as costas. Me deixe no alto e seca.
Ouço os pássaros na brisa de verão, eu dirijo rápido. Estou sozinha à meia noite. Estou tentando não me meter em confusão, mas eu, eu tenho uma guerra em minha mente. Então eu simplesmente pego a estrada, simplesmente pego a estrada.
Estou cansada de sentir como se eu fosse louca pra caralho. Estou cansado de dirigir até eu ver as estrelas em meus olhos. Eu olho para o alto para me ouvir dizendo: Baby, eu me esforço muito. Eu só pego a estrada.
Ouço os pássaros na brisa de verão, eu dirijo rápido. Estou sozinha à meia noite. Estou tentando não me meter em confusão, mas eu, eu tenho uma guerra em minha mente. Então eu simplesmente pego a estrada, simplesmente pego a estrada. "

" - Toda noite eu costumava rezar para que eu encontrar o meu povo e, finalmente, eu encontrei - em estrada aberta .Não tínhamos nada a perder, nada a ganhar... Nada do que desejássemos mais, exceto tornar nossa vida em uma obra de arte.
Viva rápido. Morra jovem. Seja selvagem e se divirta.
Eu acredito no país que América costumava ser. Eu acredito na pessoa que eu quero me tornar. Eu acredito na liberdade da estrada aberta. E o meu lema é o mesmo de sempre - Eu acredito na bondade de estranhos. E quando eu estou em guerra comigo mesmo - eu dirijo . Eu só dirijo.
Quem é você?
Você está em contato com todas as suas fantasias mais obscuras?
Você criou uma vida para si mesmo que você está livre para experimentá-la?
Eu criei. Eu sou louca pra caralho, mas sou livre!"




domingo, 15 de junho de 2014

Dear diary...


          Já fui princesa de uma brincadeira de faz-de-conta; já fui rainha de um reino que não era meu. Plebeia sempre fui: corpo semi-feminino, traços estranhos até mesmo no oculto, gestos bruscos. Aquela mania louca e livre de andar com os pés no chão (apesar das ordens e ameaças de fortíssimas cólicas de minha mãe, que, para minha não-sorte, sempre se cumpriam) e o voar insano de uma gaivota presa num simples balanço inapropriado para minhas curvas.
          Mania de plebeu também sempre tive. Não há controle sobre mim ao sentir o delicioso desejo de me sentar sobre minha própria perna dobrada sobre a cadeira. Não tenho horas, nem versos, nem rimas e ainda ouso gritar para os quatro ventos que sou poeta(enquanto danço por eles e bagunço ainda mais meus cabelos despenteados). E que poeta! Pelo menos me vejo assim quando paro por um instante e revejo o quanto já sangrei em nome das palavras. Loucura? Sim. Mas loucura também é coisa de plebe. 
         Não tenho modos, eis a verdade. Misturo idiomas numa única frase. Uso palavras chulas (com o perdão de meu velho Pai e de meu péssimo bom senso) para designar maravilhas. Tomo o caldo do prato como se não fosse pecado (e é tão pecado quanto bater portas por tanta felicidade). E falando em pecado, nunca o temi. Religiosa, nem sei se já fui. Já fui budista, umbandista, evangélica, agnóstica, ateia, bruxa e católica. Já me disse até kemetista por simples estudo de seus deuses, um exagero de minha parte, eu diria. Já confiei em santos, em mim, em ninguém, em almas e até mesmo em lendas. Já andei sozinha, com Deus, com um livro de orações em uma língua que odeio e com histórias de velhos guerreiros elementais.
          Hoje tenho um anjo da guarda (de carne e osso) que me ensinou novas histórias e me protegeu com anjos, arcanjos, alguns demônios, quatro cavaleiros e alguns seres místicos, exóticos e históricos. Todos parte de minha loucura.
          Loucura essa que me fez condessa, iluminada em um quarto escuro e incapaz de fazer meu próprio eu descansar de sua insanidade.



quarta-feira, 11 de junho de 2014

Feliz dia dos namorados. ♥


Imagine me and you, I do!



“Sem você tudo é vazio, nada tem graça. Com você parece festa de São João. Sem você levo a vida meio na raça. Com você eu tenho o mundo em minhas mãos.” Clichê, brega e cafona, eu sei. Mas foi a primeira coisa que veio em mente ao te ver dormir hoje mais cedo; ao te ver levantar a cabeça com os olhos vermelhos de sono e me agarrar, só por não querer que eu saia de perto. Pode parecer bobo, mas é exatamente isso que me faz feliz: poder viver as coisas mais simples ao seu lado.  Podem chamar de pouco, e realmente é, mas essa é a minha felicidade mais intensa, mais completa.
Analisando o ultimo ano de forma escrotamente escrota (e putz, eu nunca pensei em escrever essa palavra em uma carta de amor, mas... sou eu. Imprevisível.), eu pude perceber que esses últimos 7 meses e lá-se-vai-dias foram realmente surpreendentes e imprevisíveis. Quando eu ia me imaginar ao seu lado, sendo feliz como sou e morando com você? Quando eu ia pensar que nos braços de um crianção maluco, viciado em jogos, que só defende a merda dos orientais e que só tem amigo doido, eu iria encontrar a minha felicidade mais plena, a minha coragem, a minha força, o meu prazer e o meu amor? Resposta: NUNCA.
Se quer uma resposta do por que a minha ficha cai de repente, tá ai. É essa espontaneidade que o nosso relacionamento tem. Por mais que levemos a sério e que seja sério, ele tem esse ar de brincadeira, como bolhas de sabão. É isso que o deixa tão bonito. É isso que as pessoas admiram e é isso que eu quero ter pela minha vida inteira. Alguém que me tire do chão, alguém que me faça realmente criança enquanto me cobro ser uma adulta o tempo inteiro. Alguém que só está em você.
Enfim. Chegou um momento muito crítico na minha vida. Você é o único maluco pra quem eu não consigo escrever. Nenhuma das mil cartas de amor (idiotas, eu diria) que eu já escrevi na vida, para conhecidos ou não, nenhuma letra delas serviria. Me vem milhões de músicas na cabeça (E claro, a maior parte da Celine) e nenhuma se encaixa perfeitamente. Nem sua querida Always Be Your Girl, nem a minha amada The Colour Of My Love. Nada se encaixa ao que eu quero dizer e isso me atormenta o juízo.
Aliás, meu juízo está atormentado por não te dar o que eu realmente queria de dia dos namorados. Eu não consigo escrever uma carta decente pra você. Eu, que sempre fui boa em palavras, não consigo escrever pra você. Você me faz perder elas. Eu queria te comprar algo decente, mas fazendo burradas acabei gastando o dinheiro todo. Também ficarei em falta disso. Não posso te levar pra jantar, nem fazer algo realmente especial. Mas espero que seja o suficiente você me ter ao seu lado, vestindo roupa de casa, te agarrando no corredor, falando sacanagem o tempo inteiro e te beijando o tempo todo. Isso, mais do que qualquer coisa, demonstra o quanto eu te amo, já que em qualquer lugar que eu poderia estar, eu realmente escolhi o melhor: a minha casa. Os seus braços.
Ps: Acho que vou te tirar do castigo. Eu quero fazer amor com você. (Aliás, quando eu não quero, né?) Eu quero fazer amor com você, te dar todo o prazer do mundo e depois dormir abraçada a você. É o meu paraíso pessoal. Espero que entenda.
Eu te amo, peste. Feliz nosso primeiro dia dos namorados juntos.

                Do seu Pequeno Rouxinol. 

domingo, 8 de junho de 2014

Considerações de uma noite temperamental

A vida é um jogo de curvas desconexas, onde não se sabe se está perdendo ou ganhando. É o fazer sem saber se é isso ou não. É um desafio sem saber o prêmio ou o fim. É uma noite em claro, com mil e uma pessoas ao redor e ainda assim é só. São todas as cores do arco-íris mistas em um único buraco negro. É um bom gole de vinho depois da ressaca. (...)

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Destiny



Costumava-se dizer que tudo era relativo e anormal; todas as grandes mudanças entoadas por um único ser que escolhe simplesmente o destino e o seu significado. O que pode ser o destino, o fabuloso destino, senão o toque de duas cordas aleatórias de um violão, tornando-se a partir disso um som que pode ser agradável ou destrutivo? Pode ser o simples balançar dos cabelos de uma jovem menina ao dançar ao ritmo do vento, unindo-se a ele em beleza e graça antes de simplesmente cansar-se e lançar-se ao chão de terra, grama e paz. O que pode ser o destino, senão a graça de um simples caminho bifurcado, a confusão de uma indecisão e por fim de um presente ao fim do trajeto. 
Aprendi, em meio a algumas loucas performances da dança constante da vida, a entender tais decisões e, acima de tudo, a fechar os olhos e ir, deixando as ondas do mar me levarem para onde for. Ao fim sempre há um doce presente a ser compartilhado. Há sempre uma mágica a ser conjurada, uma cor nova a ser descoberta. E se o fim de meu caminho tiver como destino um sorriso, um par de olhos iluminados cruzando os meus, que tenha um arco-íris ao meu redor e me mostre, enfim, que nada será destruído.
Amém. 
 

© 2009Unfinished Songs | by TNB