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sábado, 30 de agosto de 2014

15 anos sem você. - Uma homenagem a minha avó.

Não muito depois da meia noite, seu toque de saudade me trouxe e eu não reconheci de imediato. Só pude sentir uma tristeza estranha que só se identificou às 2 da manhã, numa rápida olhada no celular. Não se preocupe: apesar dessa tristeza estranha, não estou mal.
Eu não te conheço tão bem, mas eu te conheço muito bem. É contraditório, mas totalmente racional. Me perdoe, eu era pequena e pra essas coisas 15 anos se mostram totalmente impiedosos.
Lembro vagamente das memórias antigas e invasões em sonhos (e eu sei quem te trouxe), mas a maior parte das minhas lembranças vieram de histórias contadas: sua infância, seus pais, seus irmãos, seu casamento, seu sonho de ter filhos (e seus posteriores filhos, de sangue ou não), suas dificuldades, sua sabedoria, suas serestas, sua "Ronda", seu salgueiro, seu vasco, suas plantas, sua cabocla... São milhões de coisas em uma só, e coisas que eu não vivi, ou vivi muito pouco pra poder lembrar. Lembro pouco: da sua marca de nascença e eu falando da bunda da vovó. De uma visita no hospital cada vez mais apagada da minha memória. Uma escadinha de 3 degraus e um leito, uma camisola que eu não lembro mais a cor. Uma cartinha. Eu sinto muito por não poder lembrar mais, mas eu não posso voltar no tempo.
Em tudo na vida eu pensei em você. Pode parecer hipocrisia pra alguns, mas é verdade. Pensei se você estava ali, vendo a mulher que eu estava me tornando. Se estava vendo meus sucessos, meus fracassos, se aprovaria ou desaprovaria atos e se eu levaria um esporro imenso ou seria amparada por seus braços. Tentei me espelhar na sua bondade e alguns dizem que deu certo. Eu não sei, sempre te imaginei como uma heroína e você sempre foi algo que eu levei muito a sério, por mais que digam que não. " - Você jura pela sua avó, Stefanie?" " - Sim, eu juro!" Da única vez que isso não foi verdade eu me arrependi amargamente e senti a dor me corroer, tanto pela meleca (sim, eu sei que você não gosta de palavrões) que eu tinha feito quanto pelo seu nome ter sido usado Mas eu sei que você me perdoou. Você me disse em sonho depois.
Eu sinto saudade de casa, vó. Não a casa - quatro paredes com uma escadinha no meio dividindo uma parte e outra. Sinto falta de casa - casa. Eu sei que estou longe, mas não é só culpa minha e eu peço perdão pela milésima vez. Eu sei que você tem visto tudo e eu sei que você vê a verdade nos meus sentimentos. Eu acredito nisso.
Espero que você se orgulhe de mim de alguma forma, espero que minhas escolhas não tenham te machucado e espero que você goste do Lucas. A bondade de vocês é imensa e eu sempre falo que ele amaria ter te conhecido.
E espero que você brinque com meus amiguinhos do céu. Eu sei que eles gostam de você e eu sei que você deve adorar eles. E espero que Rafael tenha te levado direitinho, porque senão eu bato nele!
Eu te amo, Cici. De um jeito que eu nem entendo. E não fique triste com o quanto eu chorei hoje. Espero que entenda.
E me perdoe pelas palavras que não usei. Alguns sentimentos ficam no coração, e eu sei que você tem acesso a ele também. E como você gostava de encerrar a seresta com Ronda, vou te dar esse presente. Aproveite, ele é só seu.


Da tua neta. Pra sempre.

PS: Não chore igual no natal/ano novo.
PSS: Vai ter um show, Emilinha x Marlene, aqui no Imperator. Sempre penso em você quando passo ali.
 

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